Início Internacional Após eleições, Rússia quer continuidade nas relações com Berlim

Após eleições, Rússia quer continuidade nas relações com Berlim

“Contamos evidentemente com a continuidade das nossas relações bilaterais. Temos interesse que esta relação continue e que se desenvolva ainda mais”, afirmou o porta-voz do Kremlin (Presidência russa), Dmitri Peskov, em declarações aos jornalistas.

Referindo que o processo eleitoral na Alemanha “foi acompanhado com grande atenção”, Dmitri Peskov destacou que, apesar de Moscovo e de Berlim terem presentes algumas divergências, os dois países concordam que “os problemas só podem e devem ser resolvidos através do diálogo”.

“Compreendemos que o processo de formação de uma coligação será longo, complexo, veremos o que acontece”, acrescentou.

A Rússia e a Alemanha são parceiros comerciais importantes, apesar das sanções impostas pela União Europeia (UE) e do clima de tensão sentido desde o início do conflito no leste da Ucrânia e da anexação por Moscovo da península ucraniana da Crimeia em 2014.

O Presidente russo, Vladimir Putin, e a ainda chanceler alemã, Angela Merkel, sempre salientaram o facto de os dois países terem estabelecido uma verdadeira relação de trabalho.

Tal postura foi visível nas cimeiras organizadas para encontrar uma solução para o conflito no leste ucraniano, processo atualmente paralisado, ou através do projeto do gasoduto germano-russo Nord-Stream 2, que é contestado por vários países, nomeadamente pela Ucrânia que argumenta que terá fortes repercussões económicas a partir do momento em que o gasoduto, que permitirá a Moscovo duplicar as entregas de gás natural russo na Europa, comece a operar.

Os sociais-democratas alemães (SPD), atuais aliados governamentais da democrata-cristã Angela Merkel e agora anunciados como os vencedores das eleições de domingo, estavam alinhados com a chanceler neste dossiê.

Sobre o gasoduto Nord-Stream 2, o candidato do SPD a chanceler, Olaf Scholz (vice-chanceler e ministro das Finanças cessante), afirmou que Moscovo tinha dado garantias de que o projeto não iria ser utilizado como uma arma energética.

“É uma questão de garantir que todas as garantias dadas (pela Rússia) em relação à sua atividade sejam confirmadas”, afirmou Olaf Scholz.

Em agosto, em plena contagem decrescente para as eleições federais alemãs, Angela Merkel deslocou-se a Moscovo e encontrou-se com Putin.

Nesse encontro, Merkel abordou um dos assuntos delicados nas relações germano-russas: o caso do opositor russo Alexei Navalny.

Na capital russa, a 20 de agosto, precisamente um ano depois do envenenamento do opositor, ação atribuída pelo ativista e pelo Ocidente ao Kremlin, a líder alemã exigiu, sem sucesso, a libertação de Navalny.

Berlim recebeu Navalny quando ele estava em coma, há cerca de um ano, e foram os cientistas do exército alemão que identificaram o veneno utilizado, uma substância neurotóxica desenvolvida pelos militares da época soviética.

Em janeiro, e após um período de convalescença na Alemanha, Navalny regressou à Rússia e seria imediatamente detido.

O Partido Social-Democrata (SPD) venceu as eleições parlamentares alemãs, com 25,7% dos votos, de acordo com uma contagem oficial provisória anunciada hoje pela Comissão Eleitoral Federal.

A aliança conservadora da União Democrata-Cristã (CDU) e da União Social-Cristã (CSU, a sua congénere bávara), liderada por Armin Laschet, obteve 24,1% dos votos.

A curta distância entre os dois partidos mais votados impõe agora a necessidade de negociações com potenciais futuros parceiros de coligação.