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Lava de vulcão de La Palma chegou ao mar. Quais são as consequências?

A corrente de lava que emergiu da erupção vulcânica em La Palma chegou ao mar em uma zona de penhascos na costa de Tazacorte, esta madrugada. Os vulcanólogos advertiram nos dias anteriores a população para que não se aproximassem do rio de lava se este entrasse no mar, porque podiam ocorrer novas explosões e intensificar-se o fumo com substâncias tóxicas para olhos, pulmões e pele.

Quais são afinal, os perigos?

Para já, a chegada da lava ao mar pode ser uma “bomba”. Isto porque o impacto causará explosões geradas pela reação hidrotérmica e química. Segundo explicam especialistas a esta publicação, a primeira reação será a térmica, causada por toneladas de rocha com temperaturas superiores a 1.000 graus a submergir em água com uma temperatura média de 23 graus. A segunda reação imediata é química, entre os componentes da lava a temperaturas extremas em contacto com a água e os sais do mar, formados por cloreto de sódio. 

A par disso, irá registar-se uma alteração costeira de La Palma.

E a longo prazo?

A fim de compreender as consequências a longo prazo, é preciso analisar situações semelhantes ocorridas anteriormente. Neste caso, foi analisado o impacto da erupção de um vulcão na ilha vizinha de El Hierro, em 2010. Segundo Tomás Vázquez, geólogo do Instituto Oceanográfico Espanhol, há que entender, primeiro, que na erupção de 2010, em El Hierro, o contacto da lava com o mar foi mais imediato e, portanto, com consequências mais graves. 

Independentemente disso, essa experiência dá como certo que também no caso de La Palma haverá mudanças no aumento da temperatura e acidez da água devido à emissão de dióxido de carbono, ácido carbónico e ácido sulfúrico. 

As concentrações de metais tais como ferro, cobre, cádmio e mercúrio poderão ser alteradas, e registar-se um aumento das emissões de dióxido de carbono e uma diminuição do oxigénio. Esta situação foi especialmente grave no caso de El Hierro, mas neste caso a lava chegou a uma maior profundidade, lembra Mario Lebrato do Instituto de Geociências da Universidade de Kiel (Alemanha).

Adicionalmente, poderá haver alterações nos organismos marinhos sendo possível detetar-se uma maior proliferação de algas, dado que estas se aproveitam da existência de mais nutrientes na água e também porque são capazes de sobreviver a altas temperaturas e concentrações de metais.

Durante quanto tempo durarão as consequências da chegada da lava ao mar?

O prazo para a recuperação é incerto, mas otimista, escreve o El Pais. Um estudo de 10 anos de uma área afetada por vulcões e  publicado em Relatórios Científicos conclui que há “alterações catastróficas na morfologia do fundo do mar, na química da água, na atividade de desgaseificação e nos organismos bentónicos […] Contudo, as mudanças são de natureza transitória, com uma possível recuperação do sistema no prazo de dois anos”.