Início Internacional Sete mortos em incêndios de “origem criminosa” no norte da Argélia

Sete mortos em incêndios de “origem criminosa” no norte da Argélia

“Infelizmente, lamentamos sete mortes. Seis na região [Tizi Ousou] e uma em Setif“, disse à televisão argelina o ministro Kamel Beldjoud, citado pela agência France-Presse.

O ministro do Interior fez o balanço no final de uma visita a Tizi Ouzou, uma das cidades mais populosas da região montanhosa da Cabília (nordeste).

“Cinquenta fogos ao mesmo tempo é impossível. Estes incêndios são de origem criminosa”, disse Beldjoud.

A rádio pública argelina anunciou hoje a detenção de três suspeitos de fogo posto em Médéa (norte), onde também deflagrou um incêndio.

Os ventos estão a espalhar os incêndios e a complicar a tarefa das equipas de salvamento, disse Youcef Ould Mohamed, um oficial florestal local, citado pela agência noticiosa argelina APS.

A Argélia está a viver um verão abrasador, marcado pela escassez de água, e os serviços meteorológicos previram para hoje temperaturas até 46 graus Celsius.

Em julho, o Presidente argelino, Abdelamdjid Tebboune, ordenou a elaboração de um projeto de lei para punir severamente os autores de ataques incendiários às florestas, com penas de até 30 anos de prisão ou mesmo prisão perpétua se o incêndio causar a morte de indivíduos.

No início de julho, foram detidas três pessoas suspeitas de estarem envolvidas em incêndios que destruíram 1.500 hectares de floresta no maciço de Aurès (nordeste).

A Argélia, o maior país de África, tem 4,1 milhões de hectares de floresta, com uma taxa de reflorestação de 1,76%, e é afetada todos os anos por incêndios florestais.

O número crescente de incêndios em todo o mundo está associado a vários fenómenos previstos pelos cientistas devido ao aquecimento global, como o aumento da temperatura e das ondas de calor, e a diminuição da precipitação.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) alertou para as consequências das alterações climáticas na segunda-feira, num relatório que o secretário-geral das Nações Unidos, António Guterres, disse ser um “alerta vermelho para a Humanidade”.